
Como está a sua visão?
Confesso que muitas vezes tenho de parar e reflectir: é com um ou com dois? Falo da letra E nas conjugações de alguns verbos. E não me digam que tanto faz, pois VIR e VER não são a mesma coisa! Nem sequer na famosa máxima atribuída a Júlio César — «veni, vidi, vici» — os verbos se confundem… Para além da óbvia aliteração da consoante, que empresta ritmo à frase, Júlio César primeiro chegou, depois viu e só então conquistou.
Em português, a terceira pessoa do plural do presente do indicativo dos ditos verbos causa alguma confusão, que é perfeitamente compreensível e que hoje me proponho aniquilar.
Para tornar o desafio mais interessante, atiro para o tabuleiro deste jogo mais alguns verbozitos da mesma terminação. Vamos contar tropas: de um lado temos as formas VIR, VER, TER, LER e CRER; do outro, as conjugações TÊM, CRÊEM, VÊM, LÊEM E VÊEM. Vamos agora cruzá-las e descobrir quem fica com quem. LER é lêem; CRER é crêem; TER é têm (acham que é do contra, este verbo?) e mais nenhum, pois “têem” não existe; VER é… rufar de tambores… vêem; e, claro, VIR é vêm. Se tiverem dúvidas, lembrem-se do latim e do Júlio César: VER nasceu de «videre» e VIR de «venire». Ficou muito mais fácil assim, não acham? Não?!? Bem, não sei o que mais posso dizer para ajudar, a não ser que podíamos associar EE a “veer”. Como em compreender! "Eexacto", é uma "beela mneemónica"! Agora ficou mais claro! E para que não faltem argumentos, podemos ainda acrescentar veemente, candeeiro, reembolso, cumeeira, neerlandês, empreendedor ou reescrever.
Se no princípio era o verbo, lembrem-se que no meio repetem o EE para que no fim possam ver. Fim.
Publicado no Açoriano Oriental a 25 Jan 09