22/03/2009

PSSST!


Esta-de-a-dor!
Esta semana acabei por aterrar nesta crónica por meio de uma sequência de imagens e pensamentos, no mínimo, tortuosa! E acabei por aterrar, como dizia, na palavra ESTADO, suas derivações e complicações.
Todos nós sabemos que o estado da educação em Portugal não está… enfim… em estado de graça. Não vou opinar, apoucar ou engrandecer. Mas não posso deixar de dizer que fazer estadeação do assunto não é boa ideia! Tudo isto porque ouvi, na rádio, um anúncio que promete a acção dos seus profissionais “especializados em tempo recorde”. Daí, saltei para a velha questão da colocação dos vários elementos na frase (neste caso, a expressão “em tempo recorde” deveria estar junto do verbo principal e não dos “profissionais especializados”, mas também sei que não é uma construção sintáctica simples de solucionar); depois, dei um pulo para o conceito de formação ou educação (sendo que a educação/boas maneiras também é um tema interessante, principalmente na estrada); a seguir lembrei-me da contenda estada-estadia, uma contenda provavelmente fútil pois no dicionário uma é sinónimo da outra, no sentido de permanência (acrescento que estadia está mais próxima de prazo para cargas e descargas, ou de tempo de permanência de um barco no porto; e estada, de demora ou estância); e finalmente cheguei a estado, seja por causa do estado do Estado ou do estadão do estado de espírito em que vivemos, que raia o estado de choque por via do estado de sítio em que a sociedade se transformou, fazendo apagar para sempre um certo estado de inocência. Nem vos digo do miserável estado em que fiquei depois disto tudo!


Publicado no Açoriano Oriental a 22 Mar 09

4 comentários:

Raquel Roque disse...

MM,
quero dar-te os parabéns, pois assegurar aquele espaço no AO todas as semanas não é fácil! E fico sempre surpreendida com a tua capacidade de aliar a sabedoria a uma criatividade "deliciosa".
Bjs,
Raquel Roque

Maria das Mercês disse...

Obrigada, Raquel, pelo teu apreço e pela tua compreensão! Tem semanas que realmente não é fácil cumprir o compromisso!
:)

João Carvalho disse...

Farpaitement!
É mais fácil do que parece. Se me saísse o Euromilhões, duas coisas eu faria até ao fim da vida: viajar e escrever.

Maria das Mercês disse...

João Carvalho, bem-vindo a este humilde blogue. Escrever também me é fácil, porque o faço profissionalmente há muitos anos e porque me está no sangue (escrevi o primeiro texto criativo aos 6, um poema - pavoroso! - para oferecer ao meu pai!); o que não é fácil é manter o compromisso semanal, o tema, a criatividade... Quanto ao viajar, é já!