
Os Espinhos da Vida
Se nascera no lado errado
tal não era pecado,
mas uma grande complicação
que lhe exigia muita atenção
e um pouco de experiência.
Pois não há alguma ciência
para se ser um bicho espinhudo
de focinho bem barbudo
e perninhas tão lentas?
Para quem passa nos noventas
não há ouriço-cacheiro
que resista ao nevoeiro
ou ao asfalto molhado:
– “Só quero ir para o outro lado!
Porque se aí a comida
é mais apetecida,
só tenho de atravessar
e as pernas acelerar
como se fosse um torpedo.
E não há que ter medo!”.
Lá vai, valente e verdadeiro,
o nosso ouriço-cacheiro
ao outro lado colher
as bagas para comer.
Até que um dia... espanto,
conhece um ser de encanto
e por o seu amor se derrete,
toda a sua paixão promete
sem do outro lado se lembrar.
Para quê lá voltar?
Assim viveram felizes,
tiveram muitos petizes,
os anos-cacheiros passaram
e os filhotes bem medraram.
Mas a curiosidade feminina
é coisa que desatina
pois se neste lado se permanece
do outro nada se conhece...
E não há força como a de uma mulher
(aqui, não metam a colher!)
para o mundo de pernas ao ar virar
e a rotina assim quebrar.
E lá foram de armas e bagagens
fazer muitas viagens
entre os dois lados do caminho.
Por isso, condutor, vai devagarinho,
não esmagues contra o chão,
mesmo que do tamanho de um botão,
quem no teu caminho se atravessa.
Pode ser que sejam desta peça!
Maria das Mercês Pacheco
Se nascera no lado errado
tal não era pecado,
mas uma grande complicação
que lhe exigia muita atenção
e um pouco de experiência.
Pois não há alguma ciência
para se ser um bicho espinhudo
de focinho bem barbudo
e perninhas tão lentas?
Para quem passa nos noventas
não há ouriço-cacheiro
que resista ao nevoeiro
ou ao asfalto molhado:
– “Só quero ir para o outro lado!
Porque se aí a comida
é mais apetecida,
só tenho de atravessar
e as pernas acelerar
como se fosse um torpedo.
E não há que ter medo!”.
Lá vai, valente e verdadeiro,
o nosso ouriço-cacheiro
ao outro lado colher
as bagas para comer.
Até que um dia... espanto,
conhece um ser de encanto
e por o seu amor se derrete,
toda a sua paixão promete
sem do outro lado se lembrar.
Para quê lá voltar?
Assim viveram felizes,
tiveram muitos petizes,
os anos-cacheiros passaram
e os filhotes bem medraram.
Mas a curiosidade feminina
é coisa que desatina
pois se neste lado se permanece
do outro nada se conhece...
E não há força como a de uma mulher
(aqui, não metam a colher!)
para o mundo de pernas ao ar virar
e a rotina assim quebrar.
E lá foram de armas e bagagens
fazer muitas viagens
entre os dois lados do caminho.
Por isso, condutor, vai devagarinho,
não esmagues contra o chão,
mesmo que do tamanho de um botão,
quem no teu caminho se atravessa.
Pode ser que sejam desta peça!
Maria das Mercês Pacheco
3 comentários:
Que giro, Maria!!! Este ainda não tinha lido e adorei. Os desenhos do Barradas são outra delícia!
Obrigada :)
Muito engraçado!!!
Renata
Enviar um comentário