
Trilogia Medieval
III. Do Ponto de Vista da Dama
e o valente cavaleiro já retratámos
– ambos entrincheirados numa luta desigual –
só nos resta a bela dama medieval,
D. Inês de sua mui bela graça,
mulher de porte alto e olhos de garça,
dama de um castelo alcandorado
numa colina junto a um lindo prado,
objecto de graciosa paixão
(quantas vezes lhe pediram a mão!)
de reluzentes cavaleiros na sua mocidade.
Não é que tenha agora muita idade...
é, sim, uma determinada senhora
que da paciência fez penhora
para governar a sua torre de Babel
e os humores do seu D. Rangel.
Isto sem falar no tal dragão
que todos os dias fazia tradição
de pelejar com o seu amado
– das 9 às 11 da manhã, o seu fado
era correr, ansiosa, para as ameias,
o sangue batendo veloz nas veias,
e esperar pelo fim do enredo
que não era nenhum segredo
pois D. Rangel vitorioso voltava
e, caindo no cadeirão, suspirava:
“Quase o matei desta vez!”.
Revirava os olhos D. Inês,
cansada de tanta repetição.
Por isso, quando o dragão
farto da peleja, avançou
e o seu amor declarou,
a nossa dama, mulher audaz,
logo aproveitou para fazer a paz
e uma boa amizade começar:
“Que importa se ele não tem o ar
imposto pelos demais?”;
logo com questões tais
D. Rangel concordou
e do seu cadeirão fundo suspirou.
Que isto de se viver uns com os outros
requer cuidados doutos
e se uma mulher assim quer –
pois quem disse que não pode ter?
Maria das Mercês Pacheco
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